• Wine´n Food - Raffael Figlarz

Vamos falar sobre rolhas


Atualmente existe no mercado diversos tipos de rolhas, das tradicionais rolhas de cortiça até as polêmicas tampas de rosca (ou mais conhecido por aí como screw-cap). Mas qual a diferença entre cada uma?

Rolhas de cortiça

Muitos não sabem mas a tradicional rolha de cortiça é feita a partir de uma árvore muito comum em Portugal chamada Sobreiro. Essa arvore pode atingir até 20 metros de altura e viver até 150 anos. As rolhas são feitas através da retirada da camada morta dessas árvores e cada uma dela pode produzir matéria prima por até 12 colheitas. Cerca de 90% das rolhas do mundo são feitas a partir desta árvore (sendo 49% originadas de Portugal).

A principal característica destas rolhas é que por mais que protejam do ambiente externo elas acabam permitindo uma micro oxigenação da bebida,característica que favorece o envelhecimento dos vinhos e por isso são utilizadas até hoje em vinhos de guarda.

As rolhas de cortiça são divididas em várias categorias, entre elas: as maciças, as aglomeradas, as técnicas e as de espumantes.

Rolhas Maciças:

Este tipo de rolha é feita somente com cortiça e são perfeitas para serem usadas em vinhos de guarda pois permitem a micro oxigenação favorecendo o envelhecimento da bebida, no entanto, possuem risco de contaminação com o TCA (tricloroanisole), o que pode fazer com que o vinho estrague dentro da garrafa.

Rolha de aglomerado de cortiça:

Feita através de um processo de moagem e colagem de restos de cortiça,este tipo de rolha é mais barata e possui durabilidade e elasticidade menor do que a rolha maciça.Este tipo de rolha também corre risco de contaminação por TCA.

Rolha sintética

Utilizada deste os anos 90, este tipo de rolha é mais econômica e permite o armazenamento de vinhos na posição vertical além de não permitirem a contaminação por TCA, no entanto, a sua durabilidade e vedação ainda não estão comprovadas. Este tipo de rolha é utilizado em vinhos mais baratos ou vinhos para consumo rápido e ainda é vista com preconceito pelo mercado.

Rolha de espumante:

Este tipo de rolha é feita com duas partes diferentes, sendo a parte superior mais arredondada, em forma de cogumelo (feita a partir de um aglomerado de cortiça) e a outra parte, que fica no interior da garrafa, feita de rolha maciça, o que permite melhor vedação e por consequência a melhor conservação do vinho.

Tampa de rosca (screw-cap)

Erroneamente este tipo de vedação é associada a vinhos de baixa qualidade, o que não é verdade de modo algum. A screw-cap faz uma vedação perfeita o que evita o contato da bebida com oxigênio e é feita de metal.

Este tipo de rolha é mais utilizada em vinhos do novo mundo,como Argentina, Chile, Nova Zelândia , Estados Unidos e Austrália. Ela é indicada para vinhos jovens, ou seja, vinhos que não necessitam ou não servem para envelhecimento e são uma forma mais barata e prática para a vedação.

Ainda existe um preconceito enorme no mundo do vinho com relação a este tipo de rolha, no velho mundo,por exemplo, ela é praticamente ignorada .Outro beneficio deste tipo de vedação é que ela não permite a contaminação por TCA.

Rolha de vidro

Pouquíssimo utilizadas,as rolhas de vidro tem como característica não possuir nenhum tipo de odor ou sabor, boa vedação e não possui o risco de contaminação por TCA.

Assim como a Screw Cap este tipo de rolha enfrenta forte resistência do mercado.

Ao meu ver cada rolha vai conquistar o seu lugar no mundo do vinho. Com o tempo, o mercado passará a ver com menos preconceito as rolhas screw cap , sintética e de vidro na utilização de garrafas de vinhos mais jovens , deixando para os vinhos com potencial de envelhecimento as rolhas de cortiça.

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